TRECHOS DE LIVROS - Outros






“Trocar o ponto de interrogação pelo de exclamação: eis o objetivo da ironia questionadora e aporética, o ponto onde o filósofo e o poeta, sem roteiros, se encontram.”
(Alberto Pucheu, no Posfácio “Platão, Goethe e o Íon”, do diálogo “Íon”, de Platão)



“(...) em vez de termos o pensamento de Platão domesticado em nossos bolsos, possamos pensar em um Platão, enfim, perigoso, indomesticável, que, no fim das contas, nos obriga a pensar simplesmente — com ele, a partir dele. Por nossa conta.”
(Alberto Pucheu, no Posfácio “Platão, Goethe e o Íon”, do diálogo “Íon”, de Platão)



“Arrepender-se, reconhecer-se culpado ou responsável, não é uma manifestação patológica, mas um sinal de maturidade.”
(Ana Maria Vidal-Abarca, no livro “Perdões Difíceis”)



“Nessa perspectiva, emoções e sentimentos são os sensores para o encontro, ou falta dele, entre a natureza e as circunstâncias. E por natureza refiro-me tanto à natureza que herdamos enquanto conjunto de adaptações geneticamente estabelecidas, como à natureza que adquirimos por via do desenvolvimento individual através de interações com o nosso ambiente social, quer de forma consciente e voluntária, quer de forma inconsciente e involuntária. Os sentimentos, juntamente com as emoções que os originam, não são um luxo. Servem de guias internos e ajudam-nos a comunicar aos outros sinais que também os podem guiar. E os sentimentos não são nem intangíveis nem ilusórios. Ao contrário da opinião científica tradicional, são precisamente tão cognitivos como qualquer outra percepção. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das atividades teatrais do corpo.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A alma respira através do corpo, e o sofrimento, quer comece no corpo ou numa imagem mental, acontece na carne.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Nem o encarceramento nem a pena de morte — respostas que a sociedade atualmente oferece para esses indivíduos — contribuem para a compreensão do problema ou para sua resolução. De fato, devíamos levar mais longe essa questão e interrogar-nos acerca da nossa responsabilidade quando nós, indivíduos ditos 'normais', deslizamos para a irracionalidade que marcou a grande queda de Phineas Gage.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A distinção entre doenças do 'cérebro' e da 'mente', entre problemas 'neurológicos' e 'psicológicos' ou 'psiquiátricos', constitui uma herança cultural infeliz que penetra na sociedade e na medicina. Reflete uma ignorância básica da relação entre o cérebro e a mente. As doenças do cérebro são vistas como tragédias que assolam as pessoas, as quais não podem ser culpadas pelo seu estado, enquanto as doenças da mente, especialmente aquelas que afetam a conduta e as emoções, são vistas como inconveniências sociais nas quais os doentes têm muitas responsabilidades.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“(...) é mais provável que um doente aceite de bom grado um determinado tratamento se lhe disserem que 90% das pessoas tratadas em casos semelhantes se encontram vivas ao fim de cinco anos do que se for informado de que 10% morreram.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Uma última nota prática: a solução para o problema da violência social não virá apenas de se considerar os fatores sociais e se ignorar os fatos neuropsíquicos correlacionados, nem virá da atribuição das culpas a um único agente neuroquímico. É necessária a consideração de ambos os tipos de fatores, sociais e neuroquímicos, em proporção adequada.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Os organismos simples que possuem apenas corpo e comportamento, mas estão desprovidos de cérebro ou de mente, ainda existem e são, de fato, bastante mais numerosos que os seres humanos em várias ordens de grandeza.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Partilhamos com outros seres humanos, e até com alguns animais, as imagens em que se apoia nosso conceito do mundo; existe uma consistência notável nas construções que diferentes indivíduos elaboram relativos aos aspectos essenciais do ambiente (texturas, sons, formas, cores, espaço). Se nossos organismos fossem desenhados de maneiras diferentes, as construções que fazemos do mundo que nos rodeia seriam igualmente diferentes. Não sabemos, e é improvável que alguma vez venhamos a saber, o que é a realidade 'absoluta'.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Esse arranjo pode parecer estranho. Temos aqui circuitos inatos cuja função é a de regular o funcionamento do corpo e assegurar a sobrevivência do organismo, a qual é alcançada pelo controle das operações bioquímicas internas do sistema endócrino, do sistema imunológico e das vísceras, assim como pelos impulsos e instintos. Por que deveriam esses circuitos interferir na modelação daqueles mais modernos e plásticos, responsáveis pela representação de nossas experiências adquiridas? A resposta a essa importante pergunta está no fato de tanto os registros das experiências como as respostas a elas, para serem adaptativos, deverem ser avaliados e modelados por um conjunto fundamental de preferências do organismo que considera a sobrevivência o objetivo supremo. Parece que, devido a essa avaliação e modelação serem vitais para a continuidade do organismo, os genes especificam também que os circuitos inatos devem exercer uma influência poderosa sobre virtualmente todo o conjunto de circuitos que podem ser modificados pela experiência.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Assim, à medida que progredimos da infância para a idade adulta, o design dos circuitos cerebrais que representam nosso corpo em evolução e sua interação com o mundo parece depender tanto das atividades em que o organismo se empenha como da ação de circuitos biorreguladores inatos, à medida que os últimos reagem a tais atividades. Essa abordagem sublinha a inadequação de conceber cérebro, comportamento e mente em termos de natureza versus educação, ou de genes versus experiência. Nossos cérebros e nossas mentes não são 'tabulae rasae' quando nascemos. Contudo, também não são, na sua totalidade, geneticamente determinados. A sombra genética tem um grande alcance mas não é completa. Os genes proporcionam a um dado componente cerebral sua estrutura precisa e a outro componente uma estrutura que está para ser determinada.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“O perfil imprevisível das experiências de cada indivíduo tem realmente uma palavra a acrescentar ao design dos circuitos, tanto direta quanto indiretamente, pela reação que desencadeia nos circuitos inatos e pelas consequências que tais reações têm no processo global de modelação de circuitos.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Alguns circuitos são remodelados vezes sem conta ao longo do tempo de vida do indivíduo, de acordo com as alterações que o organismo sofre. Outros permanecem predominantemente estáveis e formam a 'coluna vertebral' das noções que construímos sobre o mundo interior e exterior. A ideia de que todos os circuitos são evanescentes faz pouco sentido. A suscetibilidade de modificação indiscriminada teria criado indivíduos incapazes de se reconhecerem uns aos outros e desprovidos do sentido de sua própria biografia. Esse arranjo não seria adaptativo, e é bastante claro que tal não acontece.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A luz que ilumina uma coisa genuinamente importante, boa ou má, brilha também sobre o que a rodeia.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“O controle das inclinações animais por meio do pensamento, da razão e da vontade é o que nos torna humanos, segundo 'As paixões da alma de Descartes'. Estou de acordo com sua formulação, só que, onde ele especificou um controle alcançado por um agente não físico, vejo uma operação biológica estruturada dentro do organismo humano que em nada é menos complexa, admirável ou sublime.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Existem nas sociedades humanas convenções sociais e regras éticas acerca e acima das convenções e regras que a biologia por si proporciona. Esses níveis de controle adicionais moldam o comportamento instintivo de forma a poder ser adaptado com flexibilidade a um meio ambiente em rápida e complexa mutação e garantir a sobrevivência do indivíduo e dos outros (especialmente se pertencer à mesma espécie) em circunstâncias em que uma das respostas preestabelecidas no repertório natural se revelaria contraproducente imediata e posteriormente. Os perigos que advêm dessas convenções e regras podem ser imediatos e diretos (danos físicos ou mentais) ou remotos e indiretos (perda futura, vergonha). Muito embora essas convenções e regras tenham de ser transmitidas apenas por meio da educação e da socialização, de geração em geração, suspeito de que as representações neurais da sabedoria que incorporam e dos meios para implementar essa sabedoria se encontram ligadas, de forma inextricável, à representação neural dos processos biológicos inatos de regulação.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Isso significa que o amor, a generosidade, a bondade, a compaixão, a honestidade e outras características humanas louváveis não são mais do que o resultado de uma regulação neurobiológica orientada para a sobrevivência e que é consciente mas egoísta? Será que isso nega a possibilidade do altruísmo e anula o livre-arbítrio? Isso quer dizer que não existe amor verdadeiro, amizade sincera, compaixão genuína? De modo algum. O amor é verdadeiro, a amizade sincera e a compaixão genuína se eu não mentir em relação ao que sinto, se eu realmente me sentir apaixonado, amigável e compadecido. Talvez eu fosse mais merecedor de elogios se alcançasse esses sentimentos por meio de um puro esforço intelectual e de uma pura força de vontade, mas não vejo nenhum problema se minha atual natureza me ajudar a atingi-los mais rapidamente e me fizer simpático e honesto sem esforço. A verdade do sentimento (que diz respeito à correspondência entre o que faço e digo e aquilo que tenho em mente) e a grandeza e beleza dele não são postas em perigo pela percepção de que a sobrevivência, o cérebro e uma educação apropriada têm muito a ver com os motivos pelos quais nós experienciamos tais sentimentos. O mesmo se aplica em grande medida ao altruísmo e ao livre-arbítrio.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Não conseguimos enganar a nós próprios, tal como não conseguimos enganar os outros quando só sorrimos por cortesia, e é exatamente isso que o registro elétrico parece estabelecer de forma clara. Pode ser também por esse motivo que tanto grandes atores quanto cantores de ópera conseguem sobreviver à simulação das emoções exaltadas a que se submetem com regularidade sem perder o controle.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A continuidade dos sentimentos de fundo encaixa-se no fato de o organismo vivo e sua estrutura serem contínuos enquanto for mantida a vida. Em vez do nosso meio ambiente, cuja constituição muda, e em vez das imagens que criamos em relação a esse meio ambiente, que são fragmentárias e condicionadas por circunstâncias externas, o sentimento de fundo refere-se sobretudo a estados do corpo. Nossa identidade individual está ancorada nessa ilha de uniformidade viva e ilusória em contraste com a qual nos damos conta de uma infinidade de outras coisas que manifestamente mudam em torno do organismo.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A anosognosia sugere que a mente normal requer um fluxo contínuo de informação atualizada a partir dos estados corporais. Pode até ser que o cérebro precise saber que estamos vivos antes de procurar manter-se a si próprio desperto e consciente.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Não me parece sensato excluir as emoções e os sentimentos de qualquer concepção geral da mente, muito embora seja exatamente o que vários estudos científicos e respeitáveis fazem quando separam as emoções e os sentimentos dos tratamentos dos sistemas cognitivos.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Os sentimentos têm um estatuto verdadeiramente privilegiado. São representados em muitos níveis neurais, incluindo o neocortical, onde são os parceiros neuroanatômicos e neurofisiológicos de tudo o que pode ser apreciado por outros canais sensoriais. Mas, em virtude de suas ligações inextricáveis com o corpo, eles surgem em primeiro lugar no desenvolvimento individual e conservam uma primazia que atravessa sutilmente toda a nossa vida mental. Como o cérebro é o público cativo do corpo, os sentimentos são os primeiros entre iguais. E, dado que o que vem em primeiro lugar constitui um quadro de referência para o que vem a seguir, eles têm sempre uma palavra a dizer sobre o modo de funcionamento do resto do cérebro e da cognição. Sua influência é imensa.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“(...) apesar de a biologia e a cultura determinarem muitas vezes o nosso raciocínio, direta ou indiretamente, e parecerem limitar o exercício da liberdade individual, temos de admitir que os seres humanos contam com alguma margem para essa liberdade, para querer e executar ações que podem ir contra a aparente determinação da biologia e da cultura. Algumas atitudes humanas sublimes advêm da rejeição do que a biologia ou a cultura impelem os indivíduos a fazer. Essas atitudes são a afirmação de um novo nível de existência em que é possível inventar novos artefatos e criar modos mais justos de viver. Em determinadas circunstâncias, porém, a libertação dos condicionamentos biológicos e culturais pode ser também um sinal de demência e alimentar as ideias e os atos do louco.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A ideia de que o organismo inteiro, e não apenas o corpo ou o cérebro, interage com o meio ambiente é menosprezada com frequência, se é que se pode dizer que chega a ser considerada. No entanto, quando vemos, ouvimos, tocamos, saboreamos ou cheiramos, o corpo e o cérebro participam na interação com o meio ambiente.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“O organismo atua constantemente sobre o meio ambiente (no princípio foram as ações), de modo a poder propiciar as interações necessárias à sobrevivência.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A razão por que as pessoas morrem de queimaduras não tem a ver com a perda de uma parte da sensação do tato. Morrem porque a pele é uma víscera indispensável.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“O presente torna-se continuamente passado, e no momento em que nos apercebemos disso já estamos em outro presente, que foi gasto em planejar o futuro e se baseia nos degraus do passado. O presente nunca está aqui. Estamos irremediavelmente atrasados para a consciência.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“A razão, da prática à teórica, baseia-se provavelmente nesse impulso natural por meio de um processo que faz lembrar o domínio de uma técnica ou de uma arte. Retire-se o impulso, e não é mais possível alcançar essa perícia. Mas o fato de se possuir esse impulso não faz de nós, automaticamente, peritos.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Conhecer a relevância das emoções nos processos de raciocínio não significa que a razão seja menos importante do que as emoções, que deva ser relegada para segundo plano ou deva ser menos cultivada. Pelo contrário, ao verificarmos a função alargada das emoções, é possível realçar seus efeitos positivos e reduzir seu potencial negativo. Em particular, sem diminuir o valor da orientação das emoções normais, é natural que se queira proteger a razão da fraqueza que as emoções anormais ou a manipulação das emoções normais podem provocar no processo de planejamento e decisão.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Não é este o local para uma abordagem adequada dessas questões, mas devo dizer que os sistemas educativos poderiam ser melhorados se se insistisse na ligação inequívoca entre as emoções atuais e os cenários de resultados futuros, e que a exposição excessiva das crianças à violência na vida real, nos noticiários e na ficção audiovisual desvirtua o valor das emoções na aquisição e desenvolvimento de comportamentos sociais adaptativos. O fato de tanta violência gratuita ser apresentada sem um enquadramento moral só reforça sua ação dessensibilizadora.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Para nós, portanto, no princípio foi a existência e só mais tarde chegou o pensamento. E para nós, no presente, quando vimos ao mundo e nos desenvolvemos, começamos ainda por existir e só mais tarde pensamos. Existimos e depois pensamos e só pensamos na medida em que existimos, visto o pensamento ser, na verdade, causado por estruturas e operações do ser.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“É esse o erro de Descartes: a separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, infinitamente divisível, com volume, com dimensões e com um funcionamento mecânico, de um lado, e a substância mental, indivisível, sem volume, sem dimensões e intangível, de outro; a sugestão de que o raciocínio, o juízo moral e o sofrimento adveniente da dor física ou agitação emocional poderiam existir independentemente do corpo. Especificamente: a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Versões do erro de Descartes obscurecem as raízes da mente humana em um organismo biologicamente complexo, mas frágil, finito e único; obscurecem a tragédia implícita no conhecimento dessa fragilidade, finitude e singularidade. E quando os seres humanos não conseguem ver a tragédia inerente à existência consciente, sentem-se menos impelidos a fazer algo para minimizá-la e podem mostrar menos respeito pelo valor da vida.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Talvez a coisa mais indispensável que possamos fazer no nosso dia a dia, enquanto seres humanos, seja recordar a nós próprios e aos outros a complexidade, fragilidade, finitude e singularidade que nos caracterizam. É claro que essa não é uma tarefa fácil: tirar o espírito do seu pedestal em algum lugar não localizável e colocá-lo num lugar bem mais exato, preservando ao mesmo tempo sua dignidade e sua importância; reconhecer sua origem humilde e sua vulnerabilidade e ainda assim continuar a recorrer à sua orientação e conselho. Uma tarefa indispensável e difícil, sem dúvida, mas sem a qual talvez seja melhor que o erro de Descartes fique por corrigir.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Há algum tempo que os seres humanos atravessam uma nova fase evolutiva em termos intelectuais, na qual suas mentes e cérebros tanto podem ser escravos como donos de seus corpos e das sociedades que constituem. É claro que há imensos riscos quando os cérebros e as mentes que vieram da natureza resolvem se fazer de aprendiz de feiticeiro e influenciar a própria natureza. Mas também é arriscado não aceitar o desafio e não tentar minimizar o sofrimento. Os riscos de não se fazer coisa nenhuma são ainda maiores. Fazer apenas o que a natureza dita só pode agradar àqueles que não conseguem imaginar mundos e alternativas melhores, àqueles que pensam que já estão no melhor dos possíveis mundos.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“(...) só uma parte das redes de circuitos nos nossos cérebros é especificada pelos genes. O genoma humano especifica com grande minúcia a construção dos nossos corpos, o que inclui o design geral do cérebro. Mas nem todos os circuitos se desenvolvem ativamente e funcionam como se encontra estabelecido nos genes. Uma grande parte das redes de circuitos do cérebro, em qualquer momento da vida adulta, é individual e única, refletindo fielmente a história e as circunstâncias daquele organismo em particular.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Para se compreender satisfatoriamente o modo como o cérebro cria a mente e o comportamento humanos, é necessário considerar seu contexto social e cultural.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“O sofrimento proporciona a melhor proteção para a sobrevivência, uma vez que aumenta a probabilidade de darmos atenção aos sinais de dor e agirmos no sentido de evitar sua origem ou corrigir suas consequências.”
(António R. Damásio, no livro “O Erro de Descartes”)



“Depilação, elegância, dietas, maquiagem: tudo isso é escolha, e não obrigação. No nosso corpo, quem manda somos nós.”
(Carol Rossetti, no livro “Mulheres - Retratos de Respeito, Amor-Próprio, Direitos e Dignidade”)



“Parece que algumas pessoas têm um prazer especial em ser desrespeitosas com os outros sob a máscara do humor, né, Clarissa? Quem sabe um dia percebam que ninguém mais está rindo.”
(Carol Rossetti, no livro “Mulheres - Retratos de Respeito, Amor-Próprio, Direitos e Dignidade”)



“Maya, tom de pele não determina nem beleza nem feiura, mas pode desmascarar o preconceito de alguns.”
(Carol Rossetti, no livro “Mulheres - Retratos de Respeito, Amor-Próprio, Direitos e Dignidade”)



“Ninguém deveria ser julgado apenas por ser quem é.”
(Carol Rossetti, no livro “Mulheres - Retratos de Respeito, Amor-Próprio, Direitos e Dignidade”)



“Todos deveriam se sentir livres para fazer suas próprias escolhas, e estas não são válidas apenas quando concordamos com elas.”
(Carol Rossetti, no livro “Mulheres - Retratos de Respeito, Amor-Próprio, Direitos e Dignidade”)



“O século XX deixou como herança uma marca sombria: questionar o status quo parece ser hoje uma tarefa inútil à qual só se dedicam os nostálgicos de um passado supostamente glorioso. O desencanto é, por assim dizer, um subproduto do pragmatismo que, por sua vez, costuma ser o eufemismo usado para definir o conformismo, o ceticismo, a aceitação anestesiante das circunstâncias que temos a sorte (ou a desgraça) de enfrentar.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“A grande maioria dos que trabalham enfrentam penúrias. Todavia, os que não trabalham estão ainda pior. O desemprego se transformou em atributo estrutural do capitalismo contemporâneo. A promessa do pleno emprego se desintegrou mais rápido do que qualquer economista podia imaginar algumas décadas atrás. Os explorados deixaram lugar aos 'em condições de exploração' (os sem emprego) que, por sua vez, estão deixando lugar 'aos que nunca terão sequer a sorte de aspirar a serem explorados': os 'inempregáveis'.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Se a 'ameaça juvenil' dos anos setenta se sustentava em sua crítica radical ao passado e numa vigorosa aposta no futuro, a anomia juvenil do presente parece estabelecer suas raízes no esquecimento daquilo que ocorreu e na indiferença sobre o que nos ocorrerá.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“(...) o fim dos horrores do comunismo não significou em nada o fim dos horrores do capitalismo. 'O colapso de uma parte do mundo — tal como afirmou Eric Hobsbawn em sua fundamental 'Era dos Extremos' — revelou o mal-estar do resto'.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Para uma boa parte dos que viverão o século XXI, desencantar-se com o socialismo não significará, provavelmente, encantar-se com a barbárie que propõe o capitalismo na era da crise global. Não é possível aceitar a lógica maniqueísta. Sim, não vivemos mais, como nos últimos vinte anos, uma época de mudanças. Estamos agora numa encruzilhada, numa mudança de época. Urge repensarmos os rumos das políticas mundiais.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Não há meio-termo: ou brota agora, também entre nossas crianças e jovens, uma nova consciência da humanidade, fundada na sincera ânsia por justiça e paz, ou continuaremos, entre atentados, desastres ambientais e guerras, no plano inclinado da destruição do planeta, já adoentado pelo modo de vida espoliador que a civilização urbano-industrial e consumista erigiu como modelo. O fim está logo ali.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“O burnout é uma 'reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto e excessivo com os outros seres humanos, particularmente quando estes estão ocupados ou com problemas'.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“A possibilidade de reconhecer ou perceber acontecimentos é uma forma de definir os limites sempre arbitrários entre o 'normal' e o 'anormal', o aceito e o negado, o permitido e o proibido. É por isso que, enquanto é 'anormal' que um menino de classe média ande descalço, é 'absolutamente normal' que centenas de meninos de rua andem sem sapatos, perambulando pelas ruas de Copacabana pedindo esmolas.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“A 'anormalidade' torna os acontecimentos visíveis, ao mesmo tempo em que a 'normalidade' costuma ter a capacidade de ocultá-los. O 'normal' se torna cotidiano. E a visibilidade do cotidiano se desvanece (insensível e indiferente) como produto de sua tendencial naturalização.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“(...) hoje, em nossas sociedades dualizadas, a exclusão é invisível aos nossos olhos.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“O mapa da pobreza latino-americana constrasta com uma brutal concentração da riqueza, que faz desta a região mais injusta do planeta... Dados com os quais, a rigor, todos se importam, mas dos quais quase ninguém se lembra.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Em nossas sociedades fragmentadas, os excluídos devem se acostumar à exclusão. Os não excluídos, também. Assim, a exclusão desaparece no silêncio dos que a sofrem e no dos que a ignoram... ou a temem. De certa forma, devemos ao medo o mérito de lembrarmos diariamente da existência da exclusão. O medo dos efeitos da pobreza, da marginalidade. O medo dos efeitos produzidos pela fome, pelo desespero ou, simplesmente, pelo desencanto.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“(...) o medo não nos faz 'ver' a exclusão. O medo nos leva a temê-la. E o temor é sempre, de uma forma ou de outra, aliado do esquecimento, do silêncio.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Que todos tenham acesso à escola não significa que todos tenham acesso ao mesmo tipo de escolarização.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“O enfraquecimento dos obstáculos que impediam o acesso à escola não significou, portanto, o fim das barreiras discriminatórias, mas sim seu deslocamento em direção ao interior da própria instituição escolar.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“A consolidação de uma sociedade democrática depende não apenas da existência de programas para 'atender' aos pobres, mas de políticas orientadas a acabar com os processos que criam, multiplicam e produzem socialmente a pobreza.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Reconhecemos, explícita ou implicitamente, por ação ou omissão, que a igualdade, os direitos e a justiça social são meros artifícios discursivos em uma sociedade na qual não há lugar para todos. Escola para todos, sim. Mas direito à educação para poucos.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Não há como evitar a barbárie se não lutamos para transformar, limitar e destruir as condições sociais que a produzem.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Uma sociedade na qual a proclamação da autonomia individual não questione os direitos e a felicidade de todos.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Esta é a tendência de todas as metrópoles brasileiras. Para o povo, pouco pão e péssimo circo, quando há.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Nenhuma celebração, portanto. Mas reflexão, entendimento, ação transformadora. Chega de encobrimento! Somos indo-afro-europeus, isto é, bugres-negros-lusos, nesta ordem, inversa à dominação.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Os que mandam desde 1500 nos querem isolados, individualistas, dispersos e apáticos na caravela-presídio do 'cada um por si'. Egoísmo como virtude é auriverde cinzento pendão, ensinado nas disciplinas da domesticação. Também na globalização: a matriarca do neoliberalismo, dona Tatcher, decretou que 'não há mais sociedade, mas apenas indivíduos'. A cidadania fica reduzida a ter documentos, vacinar as crianças e quiçá saber cantar o hino nacional. Não há lugar para perspectivas coletivas e projetos comuns. É a escola 'self-made-man', onde se ensina a 'naturalidade' da desigualdade entre os seres humanos e a competição como motivação.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“A colonização e o Império foram assuntos de machos, mas República é, por concepção, feminina e plural.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Dando nome: Pindorama, a terra das palmeiras, a terra sem nome e sem males ('antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade', idealizou Oswald de Andrade, um século depois da pseudo-independência anunciada à beira-riacho pelo príncipe português). Com a conquista, as denominações d'além mar: em 30 anos, fomos Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Terra do Brasil e Brasil. Crise de identidade?
Tantos nomes para um só caminho: concentração de bens, saber e renda, dependência externa, exploração, chacinas. Justiça dos ricos, dos pistoleiros, das emboscadas, da impunidade. Melhor seria, agora, nos rebatizarmos: Terra de Tanta Cruz.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Do ponto de vista analítico, portanto, não existe 'uma' moral ou 'a' moral, mas sistemas morais vinculados a um tempo e a um espaço específicos. Também não existe 'uma' ética ou 'a' ética, mas diferentes interpretações acerca do conteúdo, significado, razão, fundamento ou necessidade das moralidades historicamente construídas.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Assim como a História, o próprio ser humano é uma possibilidade. Ninguém nasce bandido, ninguém nasce santo. Ninguém nasce sequer humano, arriscaria eu, no sentido cultural da palavra: humano como um ser dotado de inteligência, a quem se atribui racionalidade, subjetividade e, por isso, até uma certa superioridade (será?) em relação aos demais seres vivos. Melhor do que falar em natureza humana, portanto, é falar em condição humana. Somos filhos do tempo, da cultura e... dos processos educativos que as sociedades criam e recriam. 'Húmus' que podem fecundar ou apodrecer.
Hannah Arendt afirmou que o ato educativo resume-se em humanizar o ser humano. Grande resumo, síntese admirável! E prática dificílima.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Como lembrou José Saramago ao receber o merecido Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, 'vivemos uma quadra estranha da humanidade, onde as pessoas conquistam os espaços siderais mas não conseguem chegar, solidárias, à porta do vizinho'.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“O conhecimento que não é compartilhado é vazio.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Época de mudanças ou, no fundo, mudança de época? Descobrimos, maravilhados e argutos, que 60% dos nossos gens são iguais aos da mosca e 99% iguais aos do chinpanzé para desconstituirmos nossa visão sobre o ser humano, que é, segundo Albert Camus, 'o único ser vivente que se recusa a ser o que é'.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Tanto sofrimento... Magistério não é sacerdócio, todos já sabemos. Mas é missão. Profissão de fé. Tarefa grandiosa que se escolhe e leva adiante, apesar dos sacrifícios.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Paulo Freire disse, por exemplo, que o dominador é tão poderoso que consegue, às vezes, entrar dentro do coração e da razão do dominado, que se nega a si mesmo. Paulo Freire disse, por exemplo, que a educação que não chega às classes populares será sempre elitista, reprodutora da exploração. Paulo disse também que a arrogância burra da escola é considerar que antes dela nada existe, ou que as crianças precisam ser 'limpas' culturalmente para poder aprender. Paulo, por fim mas não por último, reafirmou que a política é uma dimensão fundamental da vida e que esses tempos de endeusamento do mercado, de 'coisificação' da vida são muito medíocres: é preciso superá-los. Na escola, na luta política, construindo pontes para derrubar muros de individualismo e indiferença.”
(Chico Alencar & Pablo Gentili, no livro “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“Não, entre as montanhas do sudeste mexicano as crianças crescem aprendendo que 'esperança' é uma palavra que se pronuncia coletivamente e aprendem a viver a dignidade e o respeito ao diferente. Talvez uma das diferenças entre estas crianças e as de outros lugares é que estas aprenderam a ver o amanhã desde pequenas.”
(Subcomandante Insurgente Marcos, em “Os Diabos do Novo Século”, no livro de Chico Alencar & Pablo Gentili, “Educar na Esperança em Tempos de Desencanto”)



“A sabedoria, ao contrário da filosofia, surge, aos olhos de Sócrates, como algo relacionado ao divino. A filosofia, por sua vez, parece alguma coisa referida ao próprio homem, que tem de haver consigo mesmo e com a linguagem na construção de um saber. Por isso, ele, Sócrates, seria apenas um leigo, um homem simples, que nada faz além de dizer a verdade. Um simples mortal. Os belos poemas cantadas pelo rapsodo, ao contrário, não são humanos, nem provêm dos homens. São divinos, provenientes dos deuses. Os poetas: intérpretes desses deuses. Os rapsodos: intérpretes desses intérpretes.”
(Cláudio Oliveira, na Introdução do diálogo “Íon”, de Platão)



“(...) para os gregos, a experiência da linguagem é o que há de mais extraordinário e essa mesma experiência se dá seja na poesia, seja na profecia, seja na política, seja na retórica, seja na sofística.”
(Cláudio Oliveira, na Introdução do diálogo “Íon”, de Platão)



“(...) a referência ou remissão nem sempre se estabelece sem ambiguidade. Havendo, no co-texto, dois ou mais referentes potenciais para uma forma remissiva, a decisão do leitor/ouvinte terá de se basear nas predicações feitas sobre elas, levando em conta todo o universo textual em que estão inseridas. Cabe, pois, ao produtor do texto evitar, sempre que possível, a ambiguidade potencial de referência.”
(Ingedore Villaça Koch, no livro “A coesão textual”)



“(...) podemos afirmar que a coerência não é nem característica do texto, nem dos usuários do mesmo, mas está no processo que coloca texto e usuários em relação numa situação comunicativa.”
(Ingedore Villaça Koch & Luiz Carlos Travaglia, no livro “A coerência textual”)



“Efetivamente, a língua, sob a forma de uma entidade concreta, não existe. O que existe são falantes; são grupos de falantes. A língua, tomada em si mesma, não passa de uma abstração, de uma possibilidade, de uma hipótese. O que existe de concreto, de observável são os falantes, que, sempre, numa situação particular, usam (e criam!) os recursos linguísticos para interagirem uns com os outros e fazerem circular a gama de valores culturais que marcam cada lugar, cada situação e cada tempo.”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“Seria bem mais proveitoso e mais animador se as mudanças linguísticas fossem vistas simplesmente como mudanças, como diferenças, algo inevitavelmente esperado na normalidade dos fatos sociais e históricos. Ou algo inteiramente previsível nos contextos regulados pelas instituições humanas. Numa palavra: algo normal. E mais: até enriquecedor.”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“Os programas de línguas teriam outra orientação se fossem inspirados pela procura do que uma pessoa precisa saber para atuar socialmente com eficácia. Os pontos da gramática ou do léxico não viriam à sala de aula simplesmente porque estão no programa nem viriam na ordem em que lá estão. Viriam por exigência do que os alunos precisam ir aprendendo, para serem comunicativamente competentes e, assim, construírem e interpretarem os diferentes gêneros, adequada e relevantemente. Vale salientar que, de acordo com essa perspectiva, muda não apenas a ordem em que as questões aparecem. Mudam as próprias questões do programa, agora consideradas relevantes na medida em que interferem na construção e na interpretação da própria atividade verbal.”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“Falta, na verdade, um engajamento da sociedade nos programas de educação de sua comunidade. A escola pública não é coisa do governo. É coisa nossa. É coisa de todos. Nos diz respeito. O desenvolvimento é de todos e para todos. (...) A comunidade precisa, portanto, entrar na escola, assumi-la, como alguma coisa que também lhe pertence.”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“As palavras — com seus sentidos básicos — funcionam como as margens de um rio: se, por um lado, limitam o percurso das águas, por outro possibilitam seu curso. Sem a margem, o rio perde a sua identidade.”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“Ora, a outra face da escrita é a leitura. Tudo o que é escrito se completa quando é lido por alguém. Escrever e ler são dois atos diferentes do mesmo drama (ou da mesma trama!).”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“Não se nasce com o gosto pela leitura, do mesmo modo que não se nasce com o gosto por coisa nenhuma. (...) Como vimos, o gosto por ler literatura é aprendido por um estado de sedução, de fascínio, de encantamento. Um estado que precisa ser estimulado, exercitado e vivido.”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“(...) todas as atividades que envolvem a linguagem são, necessariamente, intertextuais. Ninguém é absolutamente original. Na verdade, a história é apenas o registro do grande discurso humano que nunca se partiu.”
(Irandé Antunes, no livro “Língua, texto e ensino”)



“(...) é a partir de uma língua que se veem as coisas do mundo e não o contrário.”
(Antonio Vicente Pietroforte, “A língua como objeto da Linguística”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“(...) é fácil concluir que nenhuma comunicação é neutra ou ingênua, no sentido de que nela estão em jogo valores ideológicos, dos sujeitos da comunicação. Em outras palavras, as relações entre sujeitos são marcadamente ideológicas e os discursos que circulam entre eles e que estabelecem os laços de manipulação e de interação, são, por definição, também ideológicos, marcados por coerções sociais.”
(Diana Pessoa de Barros, em “A comunicação humana”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“(...) para Grice, o princípio da cooperação é o princípio geral que rege a comunicação. Por ele, o falante leva em conta sempre, em suas intervenções, o desenrolar da conversa e a direção que ela toma. Grice formula da seguinte maneira esse princípio:
Que sua contribuição à conversação seja, no momento em que ocorre, tal como requeira o objetivo ou a direção aceita da troca verbal em que você está engajado.
Esse princípio é explicitado por quatro categorias gerais (...) que constituem as máximas conversacionais. Grice formula assim essas máximas:
— Máximas da quantidade
Que sua contribuição contenha o tanto de informação exigida.
Que sua contribuição não contenha mais informação do que é exigido.
— Máximas da qualidade (da verdade)
Que sua contribuição seja verídica.
Não afirme o que você pensa que é falso.
Não afirme coisa de que você não tem provas.
— Máxima da relação (da pertinência)
Fale o que é concernente ao assunto tratado (seja pertinente).
— Máximas de maneira
Seja claro.
Evite exprimir-se de maneira obscura.
Evite ser ambíguo.
Seja breve (evite a prolixidade inútil).
Fale de maneira ordenada.”
(José Luiz Fiorin, em “A linguagem em uso”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“A mesma realidade, a partir de experiências culturais diversas, é categorizada diferentemente. Nenhum ser do mundo pertence a uma determinada categoria, os homens é que criam as categorias e põem nelas os seres.”
(José Luiz Fiorin, em “Teoria dos signos”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“Às vezes, voltando à realidade da vida sã, o paciente lamenta a perda daquele estado em que vivia feliz, num mundo de fantasias, sonhos e abstrações nefelibáticas. Alguns, ao invés de agradecerem ao psiquiatra, exclamam, simplesmente, diante da realidade:
— Que pena!”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Nem todos obtêm a graça suprema. Por quê? Apelando para as leis cármicas, ditas justíssimas, talvez possamos achar o fio da meada e a coincidência incompreendida, porém de há muito estabelecida pelos Senhores dos nossos destinos. A Lei Suprema se fizera sentir, talvez, naquele instante do 'milagre', inexorável: aí não teria havido atenuação de penas, mas merecimento absoluto.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“A ventura de um lar está na saúde mental da família.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Meus senhores — dizia um célebre pregador católico — não há criatura tão singularmente pasmosa como a frágil criatura humana. Vem à luz entre suspiros e lágrimas qual o mais débil dos mamíferos, e desaparece nas voragens do sepulcro qual a mais efêmera das sombras! Meus senhores, digo eu, como psiquiatra: Amai os vossos filhos. A falta de afetividade é a pior das doenças.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Quero aprender e quero curar o meu doente: eis tudo.
Em casos excepcionais, nada consigo. Mas, com a ajuda de entidades espirituais, tudo, no mínimo, se esclarece; e, se houver relação de causa e efeito de magia, se cura. As forças do mal agem com mais precisão e eficiência, por motivos óbvios, pois a inveja envenena, o fogo reduz a cinzas e o ódio reduz a nada. A isso se prestam as nossas deficiências orgânicas, quando a maior de todas as forças, a força moral, se estiola.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Vem a pelo, aqui, um paralelo entre o Carma e as Viroses. Quando uma criança, inocente, padece de horríveis e indescritíveis sofrimentos, dizem os ocultistas: é o Carma! Quando um ser bom, caridoso, puro, encontra um revés atordoante na existência, proclamam os teosofistas: é o Carma! Quando um acidente destrói, de uma só vez e num só instante, uma porção de personalidades ilustres e célebres pelo caráter, pela cultura e pelas realizações magníficas em seu país, repetem os exegetas do Destino: é o Carma!... Em Medicina, quando não sabemos diagnosticar, com absoluta precisão, uma doença grave, gravíssima, máxime do sistema nervoso, em que o infeliz, depois de alguns dias de coma, volta completamente paralítico, isto é, tetraplégico, dizem os especialistas: é uma Virose!”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Sei de um hospício que me espera, onde um enorme aparelho, reforçado por um ímã imenso, retém as almas endiabradas. Não é possível — azar nosso — aplicá-lo aqui, pois o nosso mundo ficaria vazio.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“La Bruyère, célebre moralista francês, dizia, com acento tônico, que não há exagero mais belo que o da gratidão. Paulo Mantegazza lembrava, com ironia, que o homem, em geral, é surdo quando lhe pedem alguma coisa; é eloquente quando ele próprio a pede; é mudo quando deve agradecer.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Conclusão: Pode-se pensar a respeito deles o que se possa ou se queira. Negá-los, nunca. Poderão ser, talvez, como assinalou Charles Richet, monstruosas inverossimilhanças, mas, ainda assim, realidades irrefutáveis. Mas, pela razão de não explicarmos ou não entendermos um fato, seria leviandade deixar de admiti-lo. São fatos que confundem nossa miserável inteligência, sem dúvida. Mas são fatos reais, seja lá o que se pense a respeito deles. E são de extremo interesse para o homem, para o seu futoro. Se eles não se ajustam bem às teorias dos cientistas, revejam-se essas teorias.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“As diferenças religiosas poderão, sem dúvida, desaparecer; ou ser compreendidas; ou ser suprimidas pelos sacrifícios da humildade. Não, porém, pela guerra entre religiões.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Peryllo Doliveira compreendia que o homem era mesquinho, desprezível, quando se lamentava; e dizia, num soneto humílimo, que era melhor padecer em silêncio do que, expondo a sua dor, reparti-la com os outros.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“As nossas células registram as nossas faltas. As nossas faltas perturbam as funções vitais. As funções vitais, se entrarem em anarquia fisiológica, podem levar o espírito à loucura ou castigar o corpo inapelavelmente.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“As forças ocultas, inteligentes ou não, são atraídas e agem pelo pensamento, ajudando-nos ou prejudicando-nos.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“Quando o homem mente aos outros, compreende-se, é um impostor; mas, quando mente a si mesmo, é, como diria Vieira, 'o opróbrio dos homens e o abjeto da terra!'.”
(Lauro Neiva, no livro “O Psiquiatra e o Invisível”)



“A própria essência orgânica e divina contém a programação para multiplicar-se, diversificar-se e evoluir. Nada é estático; nada tem um fim em si mesmo; tudo se transforma; tudo evolui; tudo é movimento.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“A evolução da consciência é franqueada a todos, mas o ritmo do progresso compete a cada um.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“O Demiurgo reuniu seus legionários e pediu fidelidade incondicional, sob pena de punições severas. A reunião foi tensa e a decisão tomada foi insana, ou seja, se contrapor aos ensinamentos de Sophia e promover o caos na consciência incipiente do ser humano.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Ora, se o conhecimento é a base para a evolução do ser humano, restou patente a firme intenção do Demiurgo de impedi-la, mantendo o ser humano nas trevas da ignorância.
E esse foi somente seu primeiro ato, no sentido de desorientar a vulnerável e incipiente consciência humana.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Um conflito direto entre Sophia e o Demiurgo estaria fora de propósito, vez que seria uma impropriedade da sabedoria se lançar contra a rebelião da ignorância demiurguiana. Guerra Santa é criação do Demiurgo para dominar o homem e guiá-lo para a obscuridade das trevas. Em um conflito, a sabedoria recomenda: 'Amem os seus inimigos', de sorte que Sophia jamais se envolveria num conflito direto, movido pela ira e pela ignorância.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“O ato de pensar é essencial para as novas descobertas, permite-nos escolhas mais adequadas, dentro de uma lógica ao menos aproximada da verdade. Entretanto, essa reflexão deve ser desprovida de qualquer preconceito, senão invalida o discernimento, neutraliza a inteligência e engessa a consciência.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Deus, o Inefável Criador, conhece a consciência de cada ser, de maneira que não precisa submetê-lo à prova.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“A discriminação é outra forma cruel de segregação, entretanto, o homem está fora do alcance dessa lei de influência demiurguiana, propositalmente direcionada para a mulher. O mais paradoxal é que o homem que se comunicava com o mundo espiritual era elevado ao posto de profeta, enquanto a mulher que se comunicava com o mundo espiritual recebia a pena de morte, sem direito à defesa.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“É importante ressaltar que não se ama por decreto ou sob ameaça de qualquer natureza. O amor é espontâneo e floresce no coração, independente da nossa vontade.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Deus não necessita fazer acordos, pois suas eternas leis naturais e universais já regulam tudo. À luz da razão, fazer um acordo dessa natureza seria infringir suas próprias leis, ou até mesmo negá-las.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“O Inefável Criador é amoroso e eternamente justo, não daria a espada a um de seus filhos para abater o outro, em nenhuma circunstância.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“O 'temer a Deus' não encontra esteio nos Dez Mandamentos, ao contrário, eles mandam: amar a Deus sobre todas as coisas. Não há ponto de confluência entre amar e temer, ou se ama ou se teme. O amor é fonte inesgotável do Criador Universal, enquanto o temer é a fonte de dominação do Demiurgo.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Deus não pune nem manda nenhum espírito mal atormentar seus filhos por qualquer pecado que seja. Para tanto, existem suas eternas leis universais, de sorte que, incorrendo o homem no erro, a reta justiça se manifesta pela lei de causa e efeito, que preconiza a devida correição naturalmente.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Errar na escolha e se arrepender é próprio do espírito ignorante, da imperfeição do homem, mas é necessário na sua jornada evolutiva. É pelo arrependimento que se busca o reto caminho nessa jornada terrena.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Assim será para sempre, desde o cosmos como um todo até a menor partícula, todos estão submetidos às leis naturais e universais, sem exceção, sem privilégios e sem milagres.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“(...) a evolução espiritual vem pelos méritos e pelas virtudes, e não simplesmente pela graça, conforme defendem muitos. Podemos, portanto, afirmar que o progresso espiritual é uma conquista individual inerente às virtudes de cada um.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“De tudo, deduz-se que não basta a fé inabalável para se alcançar a evolução espiritual e brilhar como uma estrela no céu. Conforme afirma Daniel, são necessários conhecimento, sabedoria e a prática constante das virtudes do amor fraterno e da justiça, sendo a fé inabalável a essência primária e fundamental para o progresso espiritual, mas, sem a prática das virtudes, a fé torna-se inócua, tal qual a fé cega, criação do Demiurgo e que conduz a humanidade ao abismo da ignorância.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Em sua suprema sabedoria, Deus não poderia criar um espírito ignorante e, ao mesmo tempo, criar outro evoluído em sua plenitude, pois, se assim o fizesse, estaria se contradizendo e infringindo suas próprias leis naturais e universais.
Portanto, todos os espíritos são criados iguais e, na sua existência primária, ignorantes; mas em sua consciência encontra-se a semente que os conduz ao caminho para o progresso espiritual.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Certamente que a evolução de cada ser depende do esforço individual, pois o Inefável Criador dotou sua criação de todos os instrumentos necessários ao progresso, que apontam para suas eternas leis naturais e universais, como a do livre arbítrio e a da causa e efeito (...).”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Essa luz brota dentro do ser humano pela via do progresso espiritual e somente por essa via.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Quando Deus criou o mundo e tudo que nele há, para o bem do progresso da humanidade, deixou todos os instrumentos necessários para que a ciência relativa ao desenvolvimento da matéria e a ciência relativa ao desenvolvimento da espiritualidade juntas descobrissem o caminho do progresso, uma colaborando com a outra para que, dessa união, resultasse uma dinâmica evolutiva eficaz e continuada.
Contudo, por ação do Demiurgo, o deus da ira e das trevas, houve uma cisão entre a sabedoria (a gnose) e a matéria, que resultou em desastroso conflito, que se perpetua até os dias atuais. (...)
Dessa cisão houve uma bifurcação natural: de um lado, o caminho da ciência e tecnologia relativa ao desenvolvimento da matéria; de outro, a ciência da espiritualidade; e, sempre que possível, uma atrapalhando o desenvolvimento da outra.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Jesus passou a estudar o comportamento do ser humano, percebeu a condição de miséria a que estava submetido, com leis arbitrárias e instituições sociais que somente serviam aos interesses da elite dominante. Nada contemplava os miseráveis, senão a exploração e a escravidão açoitada pelo chicote daquela classe dominante.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“(...) ao acender uma luz, ela deve ser colocada no lugar mais alto, para que ilumine todo o ambiente e todos recebam os mesmos benefícios.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“(...) amar o amigo é o natural, não há qualquer mérito nesse ato. Entretanto, somente o possuidor do conhecimento e da sabedoria suprema é capaz de amar o inimigo, por ter alcançado a compreensão da amplitude do verdadeiro amor, do amor que vem da consciência, que tem a percepção de que seu inimigo também é filho de Deus e, por conseguinte, seu irmão.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“Nada se oculta e, de acordo com o que se semear, colher-se-á o resultado. É o livre arbítrio em pleno funcionamento. Você escolhe o caminho e, de acordo com sua escolha, receberá sua paga, pois, na outra ponta e interagindo com a primeira, espera-o a lei da causa e efeito, ambas trabalhando em sintonia.
Se semear o amor, colher-se-á o amor; se semear o ódio, colher-se-á o ódio. Não se planta espinheira esperando-se colher maçãs. Não é necessário estar escrito em lugar algum: basta observar em seu próprio comportamento, quando interagindo com outros irmãos e com o ambiente, que verá o resultado.”
(Luiz José de Almeida, no livro “O Descortinar da Verdade”)



“(...) refletir a partir de um texto é sempre prestar um tributo a sua intrigante singularidade.”
(Luiz Tatit, em “Abordagem do texto”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“A gramática tradicional, ao fundamentar sua análise na língua escrita, difundiu falsos conceitos sobre a natureza da linguagem. Ao não reconhecer a diferença entre língua escrita e língua falada, passou a considerar a expressão escrita como modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão linguística. A gramática tradicional assumiu desde sua origem um ponto de vista prescritivo, normativo em relação à língua. (...) A tarefa do gramático se desdobra em dizer o que é a língua, descrevê-la, e, ao privilegiar alguns usos, dizer como deve ser a língua.”
(Margarida Petter, em “Linguagem, língua, linguística”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“Em primeiro lugar, está suficientemente demonstrado que a língua escrita não pode ser modelo para a língua falada. Além do fato histórico de a língua ter precedido e continuar precedendo a escrita em qualquer sociedade, a diferença entre essas duas formas de expressão verifica-se desde sua organização até o seu uso social. Está também claro para todo estudioso da linguagem que não há língua 'mais lógica', melhor ou pior, rica ou pobre. Todas as línguas naturais possuem os recursos necessários para a comunicação entre seus falantes. Se uma língua não possui um vocabulário extenso num determinado domínio, significa que os seus falantes não necessitam dessas palavras; caso contrário, ao tomar contato com novas realidades, novas tecnologias, os falantes dessa língua serão fatalmente levados a criar novos termos ou a tomá-los emprestado.”
(Margarida Petter, em “Linguagem, língua, linguística”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“Ao comparar as línguas em qualquer que seja o aspecto observado, fonologia, sintaxe ou léxico, o linguista constata que elas não são melhores nem piores, são, simplesmente, diferentes. (...) Todas as línguas até hoje estudadas constituem um sistema de comunicação estruturado, complexo e altamente desenvolvido.”
(Margarida Petter, em “Linguagem, língua, linguística”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“A Linguística, portanto, como qualquer ciência, descreve seu objeto como ele é, não especula nem faz afirmações sobre como a língua deveria ser.”
(Margarida Petter, em “Linguagem, língua, linguística”, no livro organizado por José Luiz Fiorin, “Introdução à Linguística”)



“Temos de fazer um grande esforço para não incorrer no erro milenar dos gramáticos tradicionalistas de estudar a língua como uma coisa morta, sem levar em consideração as pessoas vivas que a falam.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“O preconceito linguístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa. (...) Uma receita de bolo não é um bolo, o molde de um vestido não é um vestido, um mapa-múndi não é o mundo... Também a gramática não é a língua.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Parece haver cada vez mais, nos dias de hoje, uma forte tendência a lutar contra as mais variadas formas de preconceito, a mostrar que eles não têm nenhum fundamento racional, nenhuma justificativa, e que são apenas o resultado da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica.
Infelizmente, porém, essa tendência não tem atingido um tipo de preconceito muito comum na sociedade brasileira: o preconceito linguístico. Muito pelo contrário, o que vemos é esse preconceito ser alimentado diariamente em programas de televisão e de rádio, em colunas de jornal e revista, em livros e manuais que pretendem ensinar o que é 'certo' e o que é 'errado', sem falar, é claro, nos instrumentos tradicionais de ensino da língua: a gramática normativa e os livros didáticos.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Como a educação ainda é privilégio de muito pouca gente em nosso país, uma quantidade gigantesca de brasileiros permanece à margem do domínio de uma norma culta. Assim, da mesma forma como existem milhões de brasileiros sem terra, sem escola, sem teto, sem trabalho, sem saúde, também existem milhões de brasileiros sem língua. Afinal, se formos acreditar no mito da língua única, existem milhões de pessoas neste país que não têm acesso a essa língua, que é a norma literária, culta, empregada pelos escritores e jornalistas, pelas instituições oficiais, pelos órgãos do poder — os sem língua.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Como diz Maurizzio Gnerre (...), a Constituição afirma que todos os indivíduos são iguais perante a lei, mas essa mesma lei é redigida numa língua que só uma parcela pequena de brasileiros consegue entender. A discriminação social começa, portanto, já no texto da Constituição. É claro que Gnerre não está querendo dizer que a Constituição deveria ser escrita em língua não-padrão, mas sim que todos os brasileiros a que ela se refere deveriam ter acesso mais amplo e democrático a essa espécie de língua oficial que, restringindo seu caráter veicular a uma parte da população, exclui necessariamente uma outra, talvez a maior.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, independente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em 'Língua Portuguesa' está se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. (...) A imagem de uma língua única, mais próxima da modalidade escrita da linguagem, subjacente às prescrições normativas da gramática escolar, dos manuais e mesmo dos programas de difusão da mídia sobre 'o que se deve e o que não se deve falar e escrever', não se sustenta na análise empírica dos usos da língua.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”, trecho dos Parâmetros Curriculares Nacionais)



“E por incrível que pareça, um dos principais obstáculos para a difusão no Brasil do cinema feito em Portugal é justamente... a língua — além das dificuldades de distribuição, ligadas ao quase monopólio do cinema americano. Como os brasileiros têm dificuldades em entender o português de Portugal, e como ficaria no mínimo estranho colocar legendas em filmes portugueses, o resultado é que praticamente nunca se vê filme português nos cinemas daqui. Temos a impressão de que Portugal não produz cinema, o que é falso.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“O Brasil hoje não é europeu, africano, asiático, indígena. Nós somos a mistura exata de tudo isso, completamente diferentes das nossas origens, únicos. E apesar disso, estamos indiscutivelmente atrelados aos princípios da nossa matriz. Talvez o ano 2000 possa servir para abrirmos os olhos e, em vez de comemorarmos os nossos cinco séculos coloniais, enterrarmos o que sobrou deles.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”, trecho de redação de vestibular escrito por Henrique Suguri, 17 anos)



“Como não me canso de repetir, são simplesmente diferenças de uso — e diferença não é deficiência nem inferioridade.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Todo falante nativo de uma língua sabe essa língua. Saber uma língua, no sentido científico do verbo saber, significa conhecer intuitivamente e empregar com naturalidade as regras básicas de funcionamento dela. Está provado e comprovado que uma criança entre os 3 e 4 anos de idade já domina perfeitamente as regras gramaticais de sua língua! O que ela não conhece são sutilezas, sofisticações e irregularidades no uso dessas regras, coisas que só a leitura e o estudo podem lhe dar.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“(...) não existe nenhuma variedade nacional, regional ou local que seja intrinsecamente 'melhor', 'mais pura', 'mais bonita', 'mais correta' que outra. Toda variedade linguística atende às necessidades da comunidade de seres humanos que a empregam. Quando deixar de atender, ela inevitavelmente sofrerá transformações para se adequar às novas necessidades.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“(...) um instrutor de autoescola quer formar bons motoristas, e não campeões internacionais de Fórmula 1. Um professor de português quer formar bons usuários da língua escrita e falada, e não prováveis candidatos ao Prêmio Nobel de literatura!”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Ora, se o domínio da norma culta fosse realmente um instrumento de ascensão na sociedade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social, econômica e política do país, não é mesmo?”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Esse ensino tradicional, como eu já disse, em vez de incentivar o uso das habilidades linguísticas do indivíduo, deixando-o expressar-se livremente para somente depois corrigir sua fala ou sua escrita, age exatamente ao contrário: interrompe o fluxo natural da expressão e da comunicação com a atitude corretiva (e muitas vezes punitiva), cuja consequência inevitável é a criação de um sentimento de incapacidade, de incompetência.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Em vez de rePEtir alguma coisa, o professor deveria reFLEtir sobre ela.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Quanto ao vestibular — Deus seja mil vezes louvado! —, ele está desaparecendo. Diversas universidades públicas e privadas estão encontrando novos meios de seleção e admissão de alunos aos cursos superiores. Afinal, poucas instituições houve no Brasil tão obtusas, nefastas, injustas, antidemocráticas e perniciosas quanto o vestibular. Nunca consegui entender por que uma pessoa que quer estudar Direito precisa fazer prova de física, química, biologia e matemática, se o que ela aprendeu dessas matérias já foi avaliado na conclusão do 2º grau.
Com o fim do vestibular, desaparecerá também — assim esperamos ardentemente — toda a indústria que se formou em torno dele: os nefandos 'cursinhos' onde ninguém aprende nada, onde não há nenhuma produção de conhecimento mas apenas reprodução de informações desconexas, onde centenas de alunos se apinham numa sala, onde tudo o que se faz é entupir a cabeça do aluno com 'truques' e 'macetes' que em nada contribuem para a sua verdadeira formação intelectual e humanística.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“(...) do ponto de vista científico, simplesmente não existe erro de português. Todo falante nativo de uma língua é um falante plenamente competente dessa língua. (...)
(...) qualquer criança entre os 3 e 4 anos de idade (se não menos) já domina plenamente a gramática de sua língua. O resultado disso é, como diz Perini (...), que 'nosso conhecimento da língua é ao mesmo tempo altamente complexo, incrivelmente exato e extremamente seguro'. (...)
Assim, podemos até dizer que existem 'erros de português', só que nenhum falante nativo da língua os comete!”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“De um verdadeiro professor devemos sempre esperar compaixão, solidariedade, empatia, nunca o ódio — muito menos o riso deplorador.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Existe um mito ingênuo de que a linguagem humana tem a finalidade de 'comunicar', de 'transmitir ideias' — mito que as modernas correntes da linguística vêm tratando de demolir, provando que a linguagem é muitas vezes um poderoso instrumento de ocultação da verdade, de manipulação do outro, de controle, de intimidação, de opressão, de emudecimento. Ao lado dele, também existe o mito de que a escrita tem o objetivo de 'difundir ideias'. No entanto, uma simples investigação histórica mostra que, em muitos casos, a escrita funcionou , e ainda funciona, com a finalidade oposta: ocultar o saber, reservá-lo a uns poucos para garantir o poder àqueles que a ela têm acesso.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Vamos fazer a nós mesmos as seguintes perguntas:
— Esse texto (ou esse discurso) é coerente?
— Traz ideias originais?
— Ofende algum princípio ético?
— É preconceituoso?
— Reproduz ideias autoritárias ou intolerantes?
— Mostra um espírito crítico e/ou criativo?
— Demonstra um senso estético?
— Comunica que sentimentos?
— Ensina-me alguma coisa?
— Desperta minhas emoções? Quais?
— (...)”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“A cada ano são descobertas dezenas de espécies novas de animais e plantas (no mesmo ritmo, infelizmente, das que são extintas para sempre).”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“(...) a língua portuguesa não vai nem bem, nem mal. Ela simplesmente VAI, isto é, segue seu rumo, prossegue em sua evolução, em sua transformação, que não pode ser detida (a não ser com a eliminação física de todos os seus falantes).”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“(...) uma vez que a língua está em tudo e tudo está na língua, o professor de português é professor de TUDO.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“A Gramática Tradicional permanece viva e forte porque, ao longo da história, ela deixou de ser apenas uma tentativa de explicação filosófica para os fenômenos da linguagem humana e foi transformada em mais um dos muitos elementos de dominação de uma parcela da sociedade sobre as demais. Assim como, no curso do tempo, tem se falado da Família, da Pátria, da Lei, da Fé etc. como entidades sacrossantas, como valores perenes e imutáveis, também a 'Língua' foi elevada a essa categoria abstrata, devendo, portanto, ser 'preservada' em sua 'pureza', 'defendida' dos ataques dos 'barbarismos', 'conservada' como um 'patrimônio' que não pode sofrer 'ruína' e 'corrupção'. Nessa concepção nada científica, língua não é toda e qualquer manifestação oral e/ou escrita de qualquer ser humano, de qualquer falante nativo do idioma: 'a Língua', com artigo definido e inicial maiúscula, é somente aquele ideal de pureza e virtude, falado e escrito, é claro, pelos 'puros' e 'virtuosos' que estão no topo da pirâmide social e que, por isso, merecem exercer seu domínio sobre as demais camadas da população. A língua deixou de ser fato concreto para se transformar em valor abstrato.”
(Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico - O que é, como se faz”)



“Os linguistas, portanto, estão interessados no que é dito, e não no que alguns acham que deveria ser dito. Eles descrevem a língua em todos os seus aspectos, mas não prescrevem regras de correção. É um equívoco comum achar que há um padrão absoluto de correção que é dever de linguistas, professores, gramáticos e dicionaristas manter. A noção de correção absoluta e imutável é alheia aos linguistas.”
(Angélica Furtado da Cunha, Marcos Antonio Costa & Mário Eduardo Martelotta, em “Linguística”, no livro organizado por Mário Eduardo Martelotta, “Manual de Linguística”)


“(...) é válido dizer que para a linguística não há formas de expressão corretas ou erradas, mas adequadas ou não aos diferentes contextos de uso.”
(Angélica Furtado da Cunha, Marcos Antonio Costa & Mário Eduardo Martelotta, em “Linguística”, no livro organizado por Mário Eduardo Martelotta, “Manual de Linguística”)



“(...) por apresentar uma visão preconceituosa do uso da linguagem, a gramática tradicional não fornece ao estudioso da linguagem uma teoria adequada para descrever o funcionamento gramatical das línguas.”
(Mário Eduardo Martelotta, em “Conceitos de gramática”, no livro organizado por Mário Eduardo Martelotta, “Manual de Linguística”)



“Assim, qualquer atitude de valorizar uma variação em detrimento de outra implica critérios de natureza sociocultural, e não critérios linguísticos. Ou seja, a forma 'correta' tende fortemente a se identificar com o modo como utilizam a língua os falantes de classes sociais privilegiadas, que habitam as regiões mais importantes do país.”
(Mário Eduardo Martelotta, em “Conceitos de gramática”, no livro organizado por Mário Eduardo Martelotta, “Manual de Linguística”)



“Quando justificamos o ensino de gramática dizendo que é para que os alunos venham a escrever (ou ler, ou falar) melhor, estamos prometendo uma mercadoria que não podemos entregar. Os alunos percebem isso com bastante clareza, embora talvez não o possam explicitar; e esse é um dos fatores do descrédito da disciplina entre eles.”
(Mário Perini, no livro “Sofrendo a Gramática”)



“Quem observa o faz de um certo ponto de vista, o que não situa o observador em erro. O erro na verdade não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“A ética de que falo é a que se sabe traída e negada nos comportamentos grosseiramente imorais como na perversão hipócrita da pureza em puritanismo. A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manifestação discriminatória de raça, de gênero, de classe. É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar. E a melhor maneira de por ela lutar é vivê-la em nossa prática.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos. Neste sentido, a transgressão dos princípios éticos é uma possibilidade mas não é uma virtude. Não podemos aceitá-la.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no mover-me no mundo e se careço de responsabilidade não posso falar em ética. Isto não significa negar os condicionamentos genéticos, culturais, sociais a que estamos submetidos. Significa reconhecer que somos seres condicionados mas não determinados.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“(...) embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo. E uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo e se fez velho e se 'dispõe' a ser ultrapassado por outro amanhã.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Não há, para mim, na diferença e na 'distância' entre a ingenuidade e a criticidade, entre o saber de pura experiência feito e o que resulta dos procedimentos metodicamente rigorosos, uma ruptura, mas uma superação. (...)
Na verdade, a curiosidade ingênua que, 'desarmada', está associada ao saber do senso comum, é a mesma curiosidade que, criticizando-se, aproximando-se de forma cada vez mais metodicamente rigorosa do objeto cognoscível, se torna curiosidade epistemológica. Muda de qualidade mas não de essência.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação do desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante do fenômeno vital. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Pensar certo, pelo contrário, demanda profundidade e não superficialidade na compreensão e na interpretação dos fatos. Supõe a disponibilidade à revisão dos achados, reconhece não apenas a possibilidade de mudar de opção, de apreciação, mas o direito de fazê-lo. Mas como não há pensar certo à margem de princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe a quem muda — exige o pensar certo — que assuma a mudança operada. Do ponto de vista do pensar certo não é possível mudar e fazer de conta que não mudou. É que todo pensar certo é radicalmente coerente.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Não há pensar certo fora de uma prática testemunhal que o re-diz em lugar de desdizê-lo.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Pensar certo não é que-fazer de quem se isola, de quem se 'aconchega' a si mesmo na solidão, mas um ato comunicante. Não há por isso mesmo pensar sem entendimento e o entendimento, do ponto de vista do pensar certo, não é transferido, mas co-participado.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde na dialogicidade. O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“O de que se precisa é possibilitar que, voltando-se sobre si mesma, através da reflexão sobre a prática, a curiosidade ingênua, percebendo-se como tal, se vá tornando crítica.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“(...) quanto mais me assumo como estou sendo e percebo a ou as razões de ser de porque estou sendo assim, mais me torno capaz de mudar, de promover-me, no caso, do estado de curiosidade ingênua para o de curiosidade epistemológica.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“A solidariedade social e política de que precisamos para construir a sociedade menos feia e menos arestosa, em que podemos ser mais nós mesmos, tem na formação democrática uma prática de real importância.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Na verdade, o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento. Mas só entre mulheres e homens o inacabamento se tornou consciente.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Quanto mais cultural é o ser maior a sua infância, sua dependência de cuidados especiais.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Gosto de ser humano, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu 'destino' não é um dado mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismo. Daí que insista tanto na problematização do futuro e recuse sua inexorabilidade.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta mas a de quem nele se insere.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“É preciso deixar claro que a transgressão da eticidade jamais pode ser vista ou entendida como virtude, mas como ruptura com a decência.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“As qualidades ou virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e o que fazemos. Este esforço, o de diminuir a distância entre o discurso e a prática, é já uma dessas virtudes indispensáveis — a da coerência.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“O mundo não é. O mundo está sendo.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“'Programados para aprender' e impossibilitados de viver sem a referência de um amanhã, onde quer que haja mulheres e homens há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Segura de si, a autoridade não necessita de, a cada instante, fazer o discurso sobre sua existência, sobre si mesma. Não precisa perguntar a ninguém, certa de sua legitimidade, se 'sabe com quem está falando?'.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“A autoridade coerentemente democrática está convicta de que a disciplina verdadeira não existe na estagnação, no silêncio dos silenciados, mas no alvoroço dos inquietos, na dúvida que instiga, na esperança que desperta.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“O educando que exercita sua liberdade ficará tão mais livre quanto mais eticamente vá assumindo a responsabilidade de suas ações.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“O que quero repetir, com força, é que nada justifica a minimização dos seres humanos, no caso das maiorias compostas de minorias que não perceberam ainda que juntas seriam a maioria.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“É claro que, nem sempre, a liberdade do adolescente faz a melhor decisão com relação a seu amanhã. É indispensável que os pais tomem parte das discussões com os filhos em torno desse amanhã. Não podem nem devem omitir-se mas precisam saber e assumir que o futuro é de seus filhos e não seu. É preferível, para mim, reforçar o direito que tem a liberdade de decidir, mesmo correndo o risco de não acertar, a seguir a decisão dos pais. É decidindo que se aprende a decidir. Não posso aprender a ser eu mesmo se não decido nunca porque há sempre a sabedoria e a sensatez de meu pai e de minha mãe a decidir por mim. (...) Por outro lado, faz parte do aprendizado da decisão a assunção das consequências do ato de decidir. Não há decisão a que não se sigam efeitos esperados, pouco esperados ou inesperados. Por isso é que a decisão é um processo responsável. (...) A participação dos pais se deve dar sobretudo na análise, com os filhos, das consequências possíveis da decisão a ser tomada.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Ninguém é autônomo primeiro para depois decidir. A autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomadas.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém amadurece de repente, aos 25 anos. A gente vai amadurecendo todo dia, ou não.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? 'Lavar as mãos' em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Sempre recusei os fatalismos. Prefiro a rebeldia que me confirma como gente e que jamais deixou de provar que o ser humano é maior do que os mecanicismos que o minimizam.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“(...) a impossibilidade do amanhã diferente implica a eternidade do hoje neoliberal que aí está, e a permanência do hoje mata em mim a possibilidade de sonhar.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Quem tem o que dizer tem igualmente o direito e o dever de dizê-lo. É preciso, porém, que quem tem o que dizer saiba, sem sombra de dúvida, não ser o único ou a única a ter o que dizer. Mais ainda, que o que tem a dizer não é necessariamente, por mais importante que seja, a verdade alvissareira por todos esperada. É preciso que quem tem o que dizer saiba, sem dúvida nenhuma, que, sem escutar o que quem escuta tem igualmente a dizer, termina por esgotar a sua capacidade de dizer por muito ter dito sem nada ou quase nada ter escutado.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Se a estrutura do meu pensamento é a única certa, irrepreensível, não posso escutar quem pensa e elabora seu discurso de outra maneira que não a minha. (...) E como estar aberto às formas de ser, de pensar, de valorar, consideradas por nós demasiado estranhas e exóticas de outra cultura? Vemos como o respeito às diferenças e obviamente aos diferentes exige de nós a humildade que nos adverte dos riscos de ultrapassagem dos limites além dos quais a nossa autovalia necessária vira arrogância e desrespeito aos demais. (...) A falta de humildade, expressa na arrogância e na falsa superioridade de uma pessoa sobre a outra, de uma raça sobre a outra, de um gênero sobre o outro, de uma classe ou de uma cultura sobre a outra, é uma transgressão da vocação humana do ser mais. O que a humildade não pode exigir de mim é a minha submissão à arrogância e ao destempero de quem me desrespeita. O que a humildade exige de mim, quando não posso reagir à altura da afronta, é enfrentá-la com dignidade. A dignidade do meu silêncio e do meu olhar que transmitem o meu protesto possível.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“O progresso científico e tecnológico que não responde fundamentalmente aos interesses humanos, às necessidades de nossa existência, perdem, para mim, sua significação. ”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“(...) o melhor caminho para guardar viva e desperta a minha capacidade de pensar certo, de ver com acuidade, de ouvir com respeito, por isso de forma exigente, é me deixar exposto às diferenças, é recusar posições dogmáticas, em que me admita como proprietário da verdade. No fundo, a atitude correta de quem não se sente dono da verdade nem tampouco objeto acomodado do discurso alheio que lhe é autoritariamente feito. (...) E quanto mais me dou à experiência de lidar sem medo, sem preconceito, com as diferenças, tanto melhor me conheço e construo meu perfil.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Nas minhas relações com os outros, que não fizeram necessariamente as mesmas opções que fiz, no nível da política, da ética, da estética, da pedagogia, nem posso partir de que devo 'conquistá-los', não importa a que custo, nem tampouco temo que pretendam 'conquistar-me'. É no respeito às diferenças entre mim e eles ou elas, na coerência entre o que faço e o que digo, que me encontro com eles ou com elas.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Minha segurança se funda na convicção de que sei algo e de que ignoro algo a que se junta a certeza de que posso saber melhor o que já sei e conhecer o que ainda não sei. Minha segurança se alicerça no saber confirmado pela própria experiência de que, se minha inconclusão, de que sou consciente, atesta, de um lado, minha ignorância, me abre, de outro, o caminho para conhecer.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“A alegria não chega apenas no encontro do achado mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não devo, de outro, negar a quem sonha o direito de sonhar.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“Nem a arrogância é sinal de competência nem a competência é causa de arrogância. Não nego a competência, por outro lado, de certos arrogantes, mas lamento neles a ausência de simplicidade que, não diminuindo em nada seu saber, os faria gente melhor. Gente mais gente.”
(Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”)



“(...) sábios, suponho, sois vós, os rapsodos e os atores e aqueles cujos poemas vós cantais, enquanto eu não falo nada além da verdade, como convém a um leigo.”
(Platão, no diálogo “Íon”)



“Pois coisa leve é o poeta, e alada e sacra, e incapaz de fazer poemas antes que se tenha tornado entusiasmado e ficado fora de seu juízo e o senso não esteja mais nele. Enquanto mantiver esse bem, o senso, todo homem é incapaz de fazer poemas e de cantar oráculos.”
(Platão, no diálogo “Íon”)



“O homem é feito por sua crença. Como acredita, assim ele é.”
(Sem Autoria Específica, no livro “Bhagavad-Gita”)



“Você nunca se identifica com a sombra projetada pelo seu corpo, ou com seu reflexo, ou com o corpo que você vê num sonho ou em sua imaginação. Portanto, você também não deve se identificar com este corpo vivo.”
(Sri Shankara, no livro “Vivekachudamani”)



“18. Todas as operações militares baseiam-se no engano.
19. Por isso, quando temos capacidade de atacar, devemos parecer incapazes disso; quando podemos usar nossas forças, devemos parecer inativos; quando estivermos próximos, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos distantes; quando estivermos distantes, devemos fazê-lo acreditar que estamos próximos.
20. Ofereça iscas para atrair o inimigo. Simule a desordem e esmague-o.
21. Se o inimigo estiver seguro em todos os sentidos, prepare-se para enfrentá-lo. Se o inimigo tiver uma força superior, fuja dele.
23. Se seu adversário estiver à vontade, não lhe dê trégua.
24. Ataque-o onde estiver despreparado, apareça onde não é esperado.
25. Esses artifícios militares, que levam à vitória, não devem ser divulgados antecipadamente.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 1)



“3. De novo, se a campanha se prolongar, os recursos do Estado serão inferiores ao esforço.
4. Agora, quando suas armas perderem o poder ofensivo, o ardor de seus homens tiver arrefecido, e suas forças estiverem esgotadas e seu tesouro findo, virão outros chefes para se aproveitar da situação. (...)
5. Assim, por mais que se ouça falar da estupidez que é apressar-se na guerra, jamais se viu a inteligência associada às ações retardadoras.
10. Um Estado com um tesouro insuficiente obriga o exército a ser mantido por impostos onde estiver. Os impostos para manter o exército a distância empobrecem o povo.
11. Por outro lado, a proximidade de um exército faz os preços subirem, e os preços altos esgotam os recursos do povo.
17. (...) Os soldados capturados devem ser tratados e mantidos com bondade.
18. A isso se chama usar o inimigo conquistado para aumentar nossa força.
19. Na guerra, portanto, seu objetivo principal deve ser a vitória, não prolongar a campanha.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 2)



“1. Sun Tzu disse: Na prática da arte da guerra, a melhor coisa de todas é tomar o país do inimigo por inteiro e intacto; danificar e destruir não é muito bom. Assim, também, é melhor capturar um exército inteiro do que aniquilá-lo, capturar um regimento, um destacamento ou uma companhia inteiros do que aniquilá-los.
2. Por isso, combater e conquistar em todas as batalhas não é o ideal supremo; o ideal supremo consiste em vencer a resistência do inimigo sem combater.
9. Se os exércitos forem equivalentes, poderemos partir para a batalha; se formos ligeiramente inferiores em número, poderemos evitar o inimigo; se formos significativamente inferiores de todas as maneiras, poderemos fugir dele.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 3)



“5. A segurança contra a derrota implica táticas defensivas; a capacidade de derrotar o inimigo significa assumir a postura ofensiva.
10. Erguer um fio de cabelo de um bebê não é sinal de grande força; ver o sol e a lua não é sinal de visão aguçada; ouvir o som do trovão não é sinal de ouvido apurado.
11. O que os antigos chamavam de um guerreiro talentoso é aquele que não só vence, mas que também chega à vitória com desembaraço.
12. Daí que suas vitórias não lhe rendem nem reputação por sabedoria nem crédito por coragem.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 4)



“1. Sun Tzu disse: Conduzir uma grande força segue o mesmo princípio de conduzir alguns homens; trata-se meramente de dividi-la em suas partes.
5. Em todo combate, o método direto pode ser usado para entrar em batalha, mas para assegurar a vitória são necessários os métodos indiretos.
10. Em batalha, não existem mais do que dois métodos de ataque — o direto e o indireto; mas esses dois combinados produzem uma série interminável de manobras.
13. A qualidade da decisão é como a arremetida precisa de um falcão, que a um mesmo tempo permite-lhe golpear e liquidar a vítima.
22. Quando utiliza a energia combinada, seus combatentes transformam-se como que em troncos ou pedras rolantes. Pois é da natureza de um tronco ou pedra permanecer imóvel em uma superfície plana e ganhar movimento quando em uma encosta inclinada; tendo quatro arestas, permanecerá imóvel, mas sendo arredondado descerá rolando.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 5)



“1. Sun Tzu disse: Quem chegar primeiro ao campo de batalha e esperar pelo inimigo estará descansado para o combate; quem chegar depois ao campo de batalha e precisar se dirigir às pressas para o combate chegará exausto.
2. O combatente mais esperto, portanto, impõe sua vontade ao inimigo, mas não permite que o inimigo imponha-lhe sua vontade.
6. Um exército poderá percorrer grandes distâncias sem se extenuar se marchar por um território em que o inimigo não está.
7. É possível assegurar-se de ser bem-sucedido nos ataques se atacar apenas os locais não defendidos, assim como garantir a segurança da defesa mantendo apenas posições que não possam ser atacadas.
8. Daí que o general habilidoso só ataca quando o oponente não sabe o que defender, e será habilidoso na defesa quando o oponente não souber o que atacar.
11. Se quisermos lutar, o inimigo poderá ser forçado a um embate mesmo que esteja abrigado atrás de uma alta muralha e de um fosso profundo. Tudo o que precisamos fazer é atacar algum outro lugar que ele seja obrigado a defender.
12. Se não desejarmos lutar, impediremos o inimigo de nos envolver, mesmo que as linhas de nosso acampamento estejam meramente traçadas no chão. Tudo o que precisamos fazer é atirar alguma coisa estranha e inexplicável no caminho dele.
23. Provoque o inimigo e conhecerá os princípios de sua atividade ou inatividade.
25. Ao definir as disposições táticas, o melhor que se pode fazer é dissimulá-las; dissimule suas disposições e estará seguro contra a intromissão dos mais sutis espiões, contra as maquinações dos cérebros mais ardilosos.
28. Não repita as táticas que lhe renderam uma vitória, mas deixe que seus métodos se conduzam pela infinita variedade de circunstâncias.
29. As táticas militares são como a água, pois a água, em seu curso natural, foge dos lugares altos e procura os mais baixos.
30. Na guerra, portanto, o caminho é evitar o que é forte e atacar o que é fraco.
31. A água modifica seu curso de acordo com a natureza da superfície que percorre; o soldado calcula sua vitória de acordo com o inimigo com que se defronta.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 6)



“11. Devemos concluir, então, que um exército sem sua tropa de bagagem estará perdido; sem suas provisões, estará perdido; sem suas bases de suprimento, estará perdido.
12. Não podemos celebrar alianças sem antes conhecer as pretensões de nossos vizinhos.
14. Seremos incapazes de aproveitar as vantagens naturais a menos que façamos uso de guias locais.
15. Na guerra, pratique a dissimulação e será bem-sucedido.
16. Se suas tropas deverão ser concentradas ou divididas, as circunstâncias dirão.
17. Que sua velocidade seja como a do vento, e sua densidade, como a da floresta.
18. No ataque e na pilhagem, seja como o fogo; na imobilidade, permaneça como uma montanha.
19. Que seus planos sejam invisíveis e impenetráveis como a noite; e, quando se mover, seja como um raio fulminante.
21. Pondere e delibere antes de fazer um movimento.
33. É um axioma militar não avançar contra o inimigo montanha acima nem opor-se a ele montanha abaixo.
36. Quando cercar um exército, deixe aberto um caminho de fuga. Não pressione demais um inimigo desesperado.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 7)



“2. Quando em uma região difícil, não monte acampamento. Em uma região em que grandes estradas se interceptam, some forças com aliados. Não se demore em posições perigosamente isoladas. Quando estiver cercado, recorra a um estratagema. Em situação de desespero, parta para o combate.
3. Há estradas que não devem ser trilhadas, exércitos que não devem ser atacados, cidades que não devem ser sitiadas, posições que não devem ser contestadas, ordens do soberano que não devem ser obedecidas.
11. A arte da guerra nos ensina a confiar não na probabilidade de o inimigo não atacar, mas em nossa própria prontidão para recebê-lo; não na possibilidade de não atacar, mas sim no fato de que tornamos nossa posição inexpugnável.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 8)



“18. Quando o inimigo está bem próximo e permanece quieto, é porque confia na resistência natural da posição que ocupa.
26. Propostas de paz desacompanhadas de uma promessa de pacto indicam conspiração.
35. A visão de homens sussurrando entre si em grupinhos ou falando em voz baixa indica o descontentamento entre os soldados.
41. Aquele que não exercita a premeditação mas faz pouco caso de seus oponentes com certeza será capturado por eles.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 9)



“13. (...) Em uma área difícil, mantenha-se constantemente em marcha.
29. O estrategista habilidoso pode ser comparado à Shuai-Jan. A Shuai-Jan é uma serpente rápida encontrada nas montanhas Ch'ang. Golpeie-a na cabeça e ela o atacará imediatamente com a cauda; bata-lhe na cauda e ela o atacará prontamente com a cabeça; acerte-a no meio e como um raio ela o atacará com a cabeça e a cauda ao mesmo tempo.
57. (...) Quando a perspectiva for radiante, exponha aos olhos dos soldados, mas não lhes diga nada quando a situação for sombria.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 11)



“15. Se for vantajoso, avance; se não, permaneça onde está.”
(Sun Tzu, no livro “A Arte da Guerra”, Capítulo 12)



“Uma ideia bem menos conhecida, mas igualmente interessante, formulada por Freud, foi sua afirmação de que tinha descoberto o único denominador comum de todas as grandes revoluções científicas: surpreendentemente, todas elas humilham ou destronam o homem da posição de figura central do cosmos.”
(Vilayanur S. Ramachandran, no livro “Fantasmas no Cérebro”)



“A seleção natural pode explicar apenas o surgimento de habilidades reais que são expressas pelo organismo — nunca as potenciais. Quando elas são úteis e favorecem a sobrevivência, são transmitidas à geração seguinte. Mas o que dizer de um gene para habilidade matemática latente? Que benefício isso confere a um analfabeto? Parece mais do que o necessário ou desejável. (...) Aqui está o busílis. Um instrumento foi desenvolvido antecipadamente às necessidades do seu possuidor, mas sabemos que a evolução não tem previsão! Aqui está um exemplo em que a evolução parece ter presciência. Como isso é possível?”
(Vilayanur S. Ramachandran, no livro “Fantasmas no Cérebro”)



“Contrariamente à visão ultradarwinista, a engenharia reversa nem sempre funciona em biologia pela simples razão de que Deus não é engenheiro; é um hacker.”
(Vilayanur S. Ramachandran, no livro “Fantasmas no Cérebro”)



“Se você duvida da realidade da individualidade social, apresente a você mesmo a seguinte questão: imagine que há algum ato que você cometeu, a respeito do qual se sente extremamente embaraçado (...). Suponha além disso que agora você tem uma doença fatal e morrerá em dois meses. Se você sabe que, remexendo em seus pertences, alguma pessoa descobrirá seus segredos, fará o máximo para encobrir suas pistas? Se a resposta é sim, surge a pergunta: por que se incomodar? Afinal de contas, você não estará mais aqui. Então que importância tem o que as pessoas pensam de você depois que você se foi? Esta simples experiência de pensamento sugere que a ideia da individualidade social e de sua reputação não é apenas uma coisa abstrata. Pelo contrário, está entranhada tão profundamente em nós que queremos protegê-la até depois da morte. Muitos cientistas passaram a vida inteira desejando obsessivamente a fama póstuma — sacrificando tudo o mais para deixar uma pequenina marca no edifício.”
(Vilayanur S. Ramachandran, no livro “Fantasmas no Cérebro”)